Depois de um dos piores dias do ano, o Federal Reserve confirmou os rumores que inspiraram a recuperação observada no final da última sessão e, depois de uma reunião extraordinária, anunciou um corte de 50 pontos-base na taxa de redesconto, que passou para 5,75%, no início desta manhã.
A notícia parece inspirar investidores mundo afora: nos Estados Unidos, as Bolsas abriram em forte alta confirmando as indicações dos mercados futuros, nos mercado acionários europeus a marca também é de um movimento de recuperação e, no Brasil, não é diferente.
Mas, a despeito do clima de festa pós-Fed, a lembrança dos motivos que tanto deprimiram os mercados nos últimos dias traz à tona a seguinte questão: isso tudo é euforia ou o Federal Reserve resolveu mesmo o problema da crise? Pergunta complicada e muito importante.
Medida do Fed soluciona a crise?
Comentando a medida da autoridade monetária norte-americana, bem recebida em um cenário à beira do abismo, André Albo, analista da XP Investimentos, avalia o corte na taxa de redesconto como uma medida paliativa, que busca aliviar o pânico que tomou conta dos investidores.
"É uma medida que pode vir a ajudar, mostra que o Fed está atento e tem interesse em amenizar a crise, ou até certo ponto resolver a crise. Não digo que vai resolver a crise com essa medida, mas pode ajudar", conclui.
Há, sim, um componente eufórico
De fato, ainda é cedo para chegar a qualquer conclusão. Segundo analistas, a medida anunciada, por um lado, realmente acalma os nervos, já que reduz o custo dos empréstimos tomados pelas instituições financeiras, dando uma folga neste momento crítico.
Ao mesmo tempo, pode colocar em evidência o fato de que os problemas existem e, mais do que isso, reforçar os receio de que eles podem ainda maiores do que o esperado, já que demandaram uma reação de ninguém menos do que o Federal Reserve.
No fio da navalha
Segundo Edson Hydalgo Júnior, diretor da Trust Investimentos, parceira da corretora do banco Cruzeiro do Sul, "ninguém consegue avaliar ainda a grandeza do problema. Provavelmente deve ter muita gente no fio da navalha para quebrar e está se fingindo de vivo. Se as agências de risco não estiverem lá dentro olhando, que eu acredito que não estão, não dá para avaliar que o risco de crédito passou".
Resumindo, as palavras e as ações da autoridade monetária da maior economia do mundo trouxeram alento aos investidores, mas a inspiradora reação verificada em seguida ao anúncio tem, sim, sua parcela de euforia.
Neste sentido, Hydalgo Júnior diz: "o mercado deu o repique porque caiu mais de 23% em uma linha reta de queda. Eu não ainda não estou otimista. É muito cedo para avaliar que o mercado está voltando para uma tendência de alta".
Volatilidade
Por ora, o que se pode dize é que, certamente, a volatilidade vai continuar presente, mesmo porque, a medida do Fed não é suficiente para revelar, de uma vez por todas, o quadro real.
Entretanto, quando o medo chegou a reação do mercado foi forte e, dado o histórico recente de perdas, é natural esta recuperação. Em todo caso, nem longe é possível dizer que a situação já está resolvida.






