
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que já operava em baixa desde a manhã desta terça-feira, despencou (veja gráfico) quando faltava menos de meia hora para o final dos negócios, acompanhando os mercados de ações dos Estados Unidos.
Contribuíram fortemente para a queda as preocupações dos investidores com o setor imobiliário e os resultados decepcionantes de empresas multinacionais.
A poucos minutos do fechamento, o Ibovespa (Índice Bovespa, o principal da Bolsa brasileira) recuava 4,03%, a 55.700 pontos. O dólar, às 15h50, subia 0,98%, cotado a R$ 1,861 na venda. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, o mais importante do mundo, recuava 1,17%, enquanto o Nasdaq, termômetro da tecnologia, caía 1,72% por volta das 16h15 (horário de Brasília).
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) declarou que vê a atual situação do setor imobiliário norte-americano como uma ameaça ao crescimento econômico do seu país. O Fed defendeu, ainda, a manutenção da taxa de empréstimos emergenciais, em 6,25%, aprovada nas reuniões de maio e junho.
Além disso, o lucro da Countrywide Financial, maior empresa dos Estados Unidos de financiamento imobiliário, caiu 33% no segundo trimestre, anunciou a companhia.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, afirmou ontem que a crise imobiliária em seu país está sob controle, mas acrescentou que "os tomadores de empréstimos e os credores devem se manter em alerta".
As Bolsas norte-americanas têm mantido uma trajetória predominantemente de alta nos últimos meses, mas, nos momentos em que registraram queda, o receio de crise no setor imobiliário tem sido apontado como uma das principais causas.
Gigantes decepcionam
"Há uma série de decepções com empresas grandes", disse Peter Boockvar, estrategista de ações da Miller Tabak, em Nova York. "As pessoas estão esperando mais porque se acostumaram a ver os lucros muito acima do previsto. Não está acontecendo de novo, e além disso o mercado de crédito continua sob pressão."
A USG, fabricante de materiais para construção, e a DuPont, segunda maior companhia do setor químico nos Estados Unidos, divulgaram lucros menores que o previsto. No caso da primeira, a preocupação é maior, pois levanta preocupações sobre desaceleração do setor imobiliário.
A Apple foi outra empresa a decepcionar investidores, depois do anúncio de que foram ativadas linhas de apenas 146 mil iPhones, quando o esperado era ter chegado a 200 mil.
Também influencia o mercado a notícia publicada em 'The Wall Street Journal' dizendo que um grupo de instituições adiou a colocação de US$ 3,1 bilhões em títulos de empréstimos. A informação reforça a preocupação de que uma crise no mercado de empréstimos de alto risco nos Estados Unidos (o chamado "subprime") afaste os investidores dos empréstimos corporativos.
Petrobras
No mercado de ações brasileiro, contribui para a queda a forte desvalorização dos papéis da Petrobras. Ontem à noite, foi divulgado que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) cobra da empresa R$ 1,3 bilhão referente a um pagamento que deveria ter sido feito, segundo a agência, por conta da exploração do campo de Marlim, na bacia de Campos, no Rio de Janeiro. A estatal contesta o valor.
Os papéis da estatal também refletem a queda do preço do barril de petróleo, fato que ajudou a derrubar as Bolsas da Europa nesta terça-feira.


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